Quando o BIM não faz sentido!

Em que situação o uso do BIM atrapalha

Em minhas andanças e jornadas pelo Brasil, tenho ouvido muito de construtoras e contratantes de projetos frases como: “O Bim não presta”, “O Bim só complica”, “O Revit bagunça o projeto com este mundo de linhas”, “Os quantitativos estão todos errados”, etc. Aí, os escritórios voltam para o AutoCAD por quase uma “ordem” da construtora : “Se for feito em Revit vou contratar outro”.

Isso reflete uma enorme desinformação do que é o BIM.

Muitos julgam ser simples como é o nome do conceito. Julgam usar o Revit e já estar fazendo BIM. Amigos, não é simples. É possível mas, simples não.

Queridos arquitetos e construtores, BIM nada mais é do que um conjunto de modelagens que simulam o projeto, o projeto todo, e não somente o que se pode ser visto quando as chaves são entregues. Um bom projeto BIM é uma obra virtual, e quanto mais detalhada for a obra virtual, melhor será a execução da obra física.

Para construir, é preciso planejar e orçar! É nessa hora que o BIM entra no negócio. Para que uma construtora usufrua o melhor do BIM ela deve determinar como quer receber seus projetos: são os BIM Mandates, que são um conjunto de padrões e procedimentos para modelagem. E estes padrões estão diretamente relacionados à sua forma de planejamento, orçamentação, medição, construção e manutenção. Não adianta pedir aos escritórios de arquitetura: “Me vende um projeto em BIM. Tchau!” Meses depois receber o projeto feito em Revit e reclamar ao escritório de arquitetura sobre os quantitativos nas tabelas que não estão organizados e gerando as informações que precisa.
A construtora deve montar seu manual, seu template e sua biblioteca personalizada e voltada para suas atividades, e, quase sempre, vinculados ao seu sistema de orçamento, planejamento, medição e manutenção do projeto. Neste manual está descrito quais e como as informações devem estar no projeto modelado: camadas de revestimento de paredes, forros e pisos, tipologias de pedras, nomenclaturas de famílias a fim de serem lidas pelo programa de orçamento, parâmetros para medição e manutenção, etc.

Não é simples... se fosse, tudo bem!

Então para saber pedir, tens que saber como o processo funciona. Por isso a construtora recebe treinamentos especiais e direcionados. Nós não ministramos o mesmo treinamento para escritórios de arquitetura e para construtoras, ambas têm objetivos distintos e complementares. No entanto, a junção destes objetivos transformam-se numa parceria de sucesso e lucro!

Quando a construtora entende os benefícios e precisão dos projetos BIM, concorda em pagar melhor os projetos de arquitetura e instalações em BIM, pois sabe que será bem mais trabalhoso e exigente o trabalho destes profissionais. Sabe também, que a redução dos custos pela melhor assertividade de quantitativos e projetos paga muitas vezes mais o valor acrescido no projeto executivo bem como a consultoria necessária para se utilizar destes recursos.

Então o segredo é simples, contratante e contratado devem conhecer com profundidade o que é o BIM a fim de que ambos possam evoluir para a melhor tecnologia. E só posso desejar boa sorte e bons resultados.

David Silva Pinto/Consultor BIM
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